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Por um mundo de pessoas, não adjetivos!

Quantas oportunidades de viver e evoluir perdemos por esteriótipos? Quantas conversas deliciosas não podemos ter perdido no metrô por não enxergar quem está do lado?

Há um costume muito enraizado em nossa sociedade de apenas interagir com nossos iguais, ou, no mínimo, com nossos semelhantes. É triste, mas comum, um executivo não dar bom dia para uma faxineira, que por sua vez também não lhe dá bom dia. Uma senhora não puxa assunto com um jovem no ponto de ônibus e este, olhando para seu celular, nem reparou que ali existia mais alguém. Hoje tenho a certeza que muros são construídos sempre por dois lados. Às vezes uns lados constroem mais rápido e primeiro, com mais entusiasmo, mas de fato todos contribuem.

Como olhar para alguém e saber que aquela pessoa não nos importa? Que não somos capazes de trocar experiências e evoluir com ela? Que ela não nos tem nada a acrescentar ou que não somos capazes de dar um momento de alegria para aquele Ser?

Digo que isso acontece pois passamos tanto tempo pré julgando e sendo pré julgados que hoje, ao olhar alguém, temos a impressão que já sabemos quem é; se ela nos é semelhante e podemos evoluir um contato. Hoje supõe-se que há como se avaliar se uma pessoa lhe serve ou não pela simples foto em um aplicativo. Seremos nós superpoderosos para tirar essas conclusões de forma tão automática? Ou seremos nós puros ignorantes mesmo?

Recentemente, em uma conversa com uma pré-adolescente, filha de um amigo, me deparei com uma situação inusitada. A menina, sempre muito esperta e de palavras afiadas, me disse que estava “gostando de uma pessoa”. Eu inicialmente surpreendido, logo fiquei impressionado com a complexidade dessa frase. E me senti ferido.

Ainda sou da geração dos adjetivos: gordo, magro, negro, branco, rico, pobre, homem, mulher, velho, novo, etc… E essa frase tão simples e verdadeira me atingiu como uma flecha. Uma pessoa é algo tão bonito de se dizer! Ela, nesse momento, classificou todos os seres humanos em uma única classe. Eu segui pelo diálogo sem perguntar de que tipo de pessoa estávamos falando e ela nem vislumbrou a necessidade estereotipar a tal pessoa.

A partir dali renovei minha fé no futuro. Um futuro onde as novas gerações olhem o Ser Humano apenas como Ser Humano, sendo uma pessoa como outra qualquer. Onde só se classifique as pessoas por suas atitudes, por suas omissões, seus valores e principalmente por como tratam as outras pessoas à sua volta.

Ela mal sabe, mas a invejei, invejei sua pureza e seu nobre coração. Aquele olho que brilhava por uma pessoa – que até hoje eu não sei de que tipo é – conseguia enxergar mais longe do que eu.

Bruno Sindona é CEO da Sindona Incorporadora

Visão Oeste

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